Integrada à série “Sob Tensão”, a instalação exposta no Campus da UERJ é composta por dormentes de trem (madeiras antigas que sustentavam trilhos de trem), parafusos, vergalhão de construção civil, molas e cabos de aço.
A composição parte de uma proposição poética que caminho no sentido de criar uma relação harmônica entre materiais, no intuito de sugerir uma estrutura que tensiona os materiais entre si.
Outro importante elemento a destacar baseia-se na ideia de repetição – em série – uma vez que estamos falando de um trabalho que é constituído por cinco dormentes de trem, mas, que também poderia ser formado por vinte ou mais peças.
Este caráter orgânico da instalação, e o fato dela estar disposta e ordenada em linha, sugere (e se aproxima) da ideia de produção serial industrial e está intimamente relacionada com a nossa proposição poética que advém de vivências/experiências no campo da produção fabril.
Outro fator importante a ser destacado refere-se ao caráter orgânico dos materiais e a força do elemento tempo, ou seja, a força das intempéries que deixaram suas marcas nos dormentes de trem está visivelmente caracterizada pelo desgaste, pela corrosão, pela ferrugem, pelas rachaduras. Todas essas marcas pressupõem que esses materiais já foram utilizados e possuem uma profunda carga histórica e, ao mesmo tempo, potência poética.
Marcelo Monteiro, junho/2025


Fotos por: Pablo Rocha


