Por Samira Santos
Ao olhar para o retrovisor, o ano de 2025 é lembrado como um período de intensas descobertas. Agora, com o início de 2026, a expectativa dos orientadores é elevar ainda mais o patamar das trocas criativas no campus.
Reflexões sobre 2025
Para quem vivenciou as oficinas da COART de 2025, o sentimento predominante foi o de renovação. Rafa Eis, orientador da área de artes visuais, descreve a experiência como “linda demais”, destacando a beleza de observar o envolvimento de cada participante com a prática. Segundo o orientador, o processo vai muito além do domínio de uma técnica; trata-se de um exercício de coragem.

Apresentação da oficina de Cabaré módulo II (Foto: Equipe COART)
Na oficina de desenho, por exemplo, a transformação é visível. Rafa observa o contraste entre o estudante que chega, muitas vezes carregado de inseguranças e batalhas internas no enfrentamento do papel em branco, e aquele que sai ao final do semestre. Para ele, experimentar novos gestos, posturas e linhas não é apenas aprender a desenhar, mas exercitar novas formas de ser no mundo. Essa perspectiva da arte-educação, onde o ato de segurar um lápis de forma inédita torna-se um método para a vida, e foi o grande motor das artes visuais em 2025.
No campo do cinema e da literatura, o impacto não foi menor. Caio Neves, orientador da área, celebra o sucesso de sua primeira oficina fora do campo estrito do cinema com “Diário de artista: processos criativos e outras belezas cotidianas”. O retorno foi tão potente que as conexões geradas em sala de aula transbordaram para o mercado editorial. “Uma das estudantes me convidou para escrever a apresentação do livro de poesia que ela irá publicar neste ano, e ela também convidou outra estudante para fazer a capa”, revela Caio. Além desses frutos concretos, o orientador destaca que o curso foi fundamental para o “desbloqueio criativo” de diversos estudantes, cumprindo o papel terapêutico que a arte exerce na comunidade acadêmica e externa.
Essa mesma energia foi sentida na dança. Elisa Quintanilha, orientadora de dança, reforça o orgulho de ver o encerramento desses ciclos: “Dá para ver no rostinho de cada pessoa uma alegria muito grande de estar se apresentando. Às vezes as pessoas estão até um pouco nervosas, mas é um nervosismo com alegria de estar concluindo o processo.” Para Elisa, o formato das mostras e aulas abertas em 2025 foi um diferencial, permitindo que até os orientadores se colocassem no papel de aprendizes.

Orientadora Elisa Quintanilha participando da aula aberta de Dança Afro (Foto: Samira Santos)
Expectativas para 2026.1
Com o sucesso do ano anterior, os preparativos para o primeiro semestre de 2026 focam na continuidade e no aprofundamento. A grande novidade da área de literatura é o lançamento do Módulo 2 da oficina Diário de artista, atendendo aos pedidos dos veteranos que desejam seguir explorando seus processos criativos.
A grande novidade na Dança é o retorno de modalidades aguardadas. Elisa Quintanilha compartilha seu entusiasmo com a volta de suas disciplinas, que não foram ofertadas no semestre passado:
- Dança Contemporânea (Módulos 1 e 2).
- Dança e Performance (Módulos 1 e 2).
“Eu estou animada para o módulo II de Dança e Performance porque vou dar ele pela primeira vez. A modalidade começou em 2025.1 e estou bem animada com a continuidade.”
Para os novos interessados em cinema, a COART oferece uma trilha completa que cobre todas as etapas da feitura de um filme. Estão abertas oficinas de Roteiro e Audiovisual independente, todas conduzidas por profissionais experientes com o objetivo de facilitar o acesso à sétima arte através de preços populares.
Um mergulho nas Artes Cênicas
A área de Artes Cênicas em 2026.1 apresenta uma grade robusta. Filipe Codeço, orientador da área de artes cênicas, assume a liderança de duas frentes importantes. Na oficina O palhaço, a palhaça e o erro como bússola, ele propõe desconstruir o mito de que a palhaçaria é apenas um dom intuitivo. Através de técnicas e jogos, os estuantes são levados a encontrar seu “ridículo singular” em um espaço seguro para a falha.
Além da palhaçaria, Codeço ministra o Laboratório de atuação para o audiovisual, focado na prática diante das câmeras e na realidade do mercado profissional. O Módulo 2 deste laboratório é especialmente estratégico para quem busca entender os processos de seleção de elenco e o desenvolvimento de material de trabalho (monólogos e diálogos) para exibição.
Ainda nesse campo, Tainá Pimenta traz a oficina “Palhaçaria: o ridículo que habita em mim!”, voltada para o despertar do “bobo interior” através de jogos de sensibilização e improviso. Para os amantes da improvisação pura, Claudio Amado conduz a oficina de IMPRO, onde os participantes aprendem que qualquer pessoa pode ser autor, ator e diretor simultaneamente, desenvolvendo a teatralidade sem a pressão do “talento” prévio.
Cabaré e arte urbana
Um dos grandes destaques é a oficina de “Cabaré: oficina prática de criação”, com Letícia Guimarães. A proposta é valorizar referências brasileiras como a chanchada, o carnaval e o besteirol, unindo linguagens como paródia, lipsync, burlesco e comédia física.

Abertura da apresentação do módulo II de Cabaré (Foto: Equipe COART)
Nas Artes Visuais, a diversidade de suportes é a marca registrada. Além das oficinas de Desenho e Tópicos em Arte e Educação com Rafa Eis, a COART oferece:
- Estética do Graffiti e Prática da Arte Urbana: Ministrada por J.Lo Borges, a oficina ensina desde o surgimento do graffiti até a pintura de murais coletivos com spray, sendo ideal para quem quer perder a insegurança de pintar em grandes proporções.
- Aquarela para iniciantes: Com Lina Ferreira, focada em mistura de cores e na criação de um sketchbook criativo.
- Xilogravura e Linoleogravura: Orientada por Hugo Bernabé, explora a reprodutibilidade técnica e a experimentação gráfica.
- Do barro à cerâmica: Alice Balduino conduz os alunos pelo manuseio da matéria orgânica até o processo de queima e esmaltação.
- Fotografia Digital: Marina S. Alves propõe uma imersão na construção de narrativas visuais e no uso da fotografia como instrumento de memória social.
A Dança na COART
A grade de dança reflete a pluralidade da Uerj. Para quem busca conexão com a ancestralidade, Cleiton Sobreira ministra Dança Afro, utilizando a simbologia dos orixás e ritmos afro-brasileiros para a criação coreográfica. Para quem ainda hesita em se inscrever por falta de experiência, Elisa deixa um recado acolhedor que resume o espírito da COART: “A mensagem é clara: vem dançar com a gente! Não tem problema se nunca dançou na vida, as nossas oficinas são orientadas para o público iniciante mesmo. Quem vier vai se surpreender.”

Aula aberta de Dança afro contou com muitos participantes (Foto: Samira Santos)
Há também espaço para a Dança Oriental Árabe com Thereza de Oliveira, que foca na autoestima e no conhecimento cultural , e a oficina de Funk: rebolado libertador com Mayara Assis, que integra práticas de respiração e autoconhecimento através do ritmo dos bailes.
O panorama para 2026.1 na COART é de um Centro Cultural vibrante, que não apenas ensina técnicas, mas fomenta comunidades. Como bem pontuou Rafa Eis, quem procura um espaço rico em trocas e sensibilidade encontra nas oficinas uma equipe competente e acolhedora. Seja para desbloquear a criatividade, aprender uma nova profissão ou simplesmente exercitar novas formas de estar no mundo, o convite está feito: a arte na Uerj espera por todos.


