Por Samira Santos
A COART encerrou na última semana sua programação em homenagem ao Mês da Consciência Negra, com uma agenda recheada de eventos gratuitos que celebram o protagonismo negro em diversas formas de arte.

Apresentação da peça Sortilégio no salão 2 (Foto: Equipe COART)
O Cine Cartola abriu a semana com a exibição de Marte Um (2022) no dia 19 de novembro. O filme, dirigido por Gabriel Martins, narra a trajetória de uma família negra da periferia de Contagem, Minas Gerais, que busca seguir seus sonhos em um país polarizado. Após a projeção, ocorreu um debate com o pedagogo e cineasta Marco Aurélio Correa, mediado por Quesia Pacheco, profissional da área de audiovisual. A discussão se concentrou no afeto e na resiliência da família negra, valorizando o cinema como ferramenta de reflexão.
A programação seguiu forte com a mostra especial do Black Queer Festival – Festival de Cinema Negro Indígena LGBTQIA+. A COART sediou o evento no dia 25 de novembro, no Auditório Cartola. O festival buscou ativamente fortalecer a representatividade negra e queer, promovendo obras que combatem estereótipos e ampliam as vozes marginalizadas. O objetivo central é celebrar e dar visibilidade às narrativas LGBTQIAPN+ com protagonismo negro, utilizando o cinema como ferramenta de transformação.
Já no dia 26 de novembro, aconteceu no Salão 2 o espetáculo Sortilégio: O Mistério Negro. A montagem, apresentada pelo Coletivo Vai Dar Pé, celebrou os 80 Anos do Teatro Experimental do Negro (TEN). Escrita em 1951 por Abdias do Nascimento, intelectual e dramaturgo, a peça é um clássico que mergulha em questões profundas da identidade negra, racismo estrutural e espiritualidade afro-brasileira.

Momento marcante da peça (Foto: Equipe COART)
No dia 27 de novembro aconteceu na COART o segundo Curto-Circuito, um evento onde diversos mini-espetáculos culturais são apresentados em formato de circuito. A apresentação começou na sala 11, às 18h. Foram apresentados três espetáculos que começou com a performance de Dança Arruaça, de Mayara Assis que reúne memórias ancestrais, seguiu com a Música do Musso Ngoni, de Lilian Amancai, que trouxe repertório autoral com o Kamale Ngoni (harpa africana), e terminou nas Artes Visuais com incCORPORAÇÃO Nº 1 / defumAÇÃO, uma obra de Rona Neves sobre território e ancestralidade.
Para encerrar o mês de celebração, o Esquenta na COART apresentou a Banda Trevo no dia 28 de novembro, no Salão 2. A banda, formada por estudantes da Uerj, preparou um repertório especial totalmente dedicado ao grande nome da MPB, Djavan. Todos os eventos do Mês da Consciência Negra da Coart aconteceram no Centro Cultural, que fica no prédio anexo, em cima do bandejão no campus Maracanã, e todos com entrada gratuita.

Artistas do Curta-Circuito (Foto: Equipe COART)


