Por Samira Santos
A Mostra, COART! encerrou o semestre com uma explosão de talento e demonstrou que a arte é capaz de mobilizar multidões, mesmo diante de feriados ou imprevistos. Entre os dias 8 e 18 de dezembro, a COART celebrou a produção de arte desenvolvida nas oficinas, apresentando trabalhos que transitaram entre o audiovisual, a performance e o registro mais íntimo. O sucesso foi gigante e mesmo no dia em que foi decretado ponto facultativo, a COART permaneceu aberta e disposta a levar cultura a todos, resultando em apresentações do Módulo 1 de Cabaré e da oficina de Improviso com plateias lotadas.

Oficina de Cabaré módulo I (Foto: Equipe COART)
Um dos momentos mais emblemáticos dessa jornada ocorreu em um período em que, teoricamente, o ritmo da cidade deveria diminuir. O resultado foi emocionante: as apresentações do Módulo 1 de Cabaré e de Improviso registraram plateias lotadas, provando que nada é capaz de conter o público quando a proposta é de qualidade e acolhimento. Esse episódio demonstrou a força da instituição e o quanto a comunidade valoriza esse espaço de troca.

Apresentação da oficina de Improviso (Foto: Equipe COART)
Cinema é coletivo
No campo do audiovisual, o orientador Caio Neves guiou os estudantes por uma diversidade impressionante de abordagens. As oficinas de Cinema e Arte Contemporânea não se limitaram ao básico, buscando inspiração em figuras icônicas como Jan Svankmajer, Cao Guimarães e Maya Deren para o desenvolvimento de exercícios práticos. Caio expressou grande entusiasmo com o que foi entregue, destacando que tanto os filmes quanto as exposições paralelas revelaram uma maturidade artística.
Um dos grandes destaques citados pelo orientador foi o resultado da oficina de Diário de Artista. O projeto consistiu na criação de um caderno coletivo que, em uma dinâmica de confiança e colaboração, passava cada semana na casa de um estudante diferente. Ao ver o trabalho finalizado e exposto na galeria, Caio Neves não escondeu a satisfação, afirmando que foi uma surpresa para todos ver o projeto pronto após circular por tantas mãos. Para ele, o caminho para quem deseja seguir na área é exatamente esse: manter o estudo constante, pesquisar o máximo de referências em diferentes linguagens e nunca ter medo de colocar as ideias em prática através da experimentação.
Teatro é emoção
A área de teatro, sob a orientação de Filipe Codeço, trouxe uma proposta pedagógica inovadora que integrou referências do palco com as especificidades do audiovisual. O trabalho de Codeço focou na individualidade de cada ator e atriz, desenvolvendo percursos únicos. Nessas sessões, o público não apenas assistiu às cenas projetadas, mas participou de bate-papos profundos sobre a trajetória de cada artista, criando uma ponte direta entre quem cria e quem consome a obra.
No Módulo 1 do Laboratório de Atuação, os estudantes percorreram uma jornada emocional que começou com o relato íntimo de mensagens de áudio, passou pelas nuances do diálogo em dupla e terminou no desafiador “ato sem palavras”, uma cena muda de um minuto, onde apenas o corpo e uma trilha orquestrada narravam a história. Já o Módulo 2 preparou os alunos para o rigor do mercado, simulando a pressão de testes de elenco e self-tapes. Ainda sob a tutela de Codeço, a oficina O Palhaço, a Palhaça, e o Erro como Bússola trouxe a leveza necessária para o evento. Através da palhaçaria, uma linguagem que o orientador pesquisa há anos, os alunos foram incentivados ao encontro com o próprio ridículo e ao desnudamento dos códigos sociais, expondo-se de forma pura.

Filipe Codeço ao lado de seu alunos da oficina de laboratório de audiovisual (Foto: Equipe COART)
Artes visuais é transcender
Nas artes visuais também brilhou intensamente, apresentando trabalhos que impressionaram pela qualidade técnica. O orientador Rafa Éis destacou que, para além do que é visto nas paredes da galeria, o que realmente define a mostra é a intensidade dos encontros e os vínculos humanos formados durante o processo de criação. Para ele, a exposição é apenas um fragmento de tempo de uma caminhada muito mais longa e corajosa feita pelos oficineiros. Rafa ressaltou que a dedicação e o envolvimento das turmas são elementos que sempre o surpreendem positivamente a cada nova edição.
Ao final de mais de dez dias de evento, a Mostra, COART! reafirmou-se como um espaço vital para a cultura no Rio de Janeiro. A celebração deixou claro que a criatividade e a dedicação demonstradas neste semestre são apenas o começo de muitas trajetórias artísticas promissoras. O público saiu da COART com a alma renovada, tendo testemunhado o poder transformador da arte.


