Quando a Dama vira Rei: exposição “Às Cartas” coloca o feminino no centro do jogo

Texto por Lívia Nunes
Fotos por George Magaraia

E se a Dama pudesse valer mais que o Rei? É a partir dessa inversão de valores que a artista Vanessa Rocha constrói “Às Cartas”, exposição inaugurada nesta quinta-feira, 13 de agosto de 2026, na Galeria Gustavo Schnoor. Com curadoria de Marisa Flórido e Alexandre Sá (in memoriam), a mostra reúne quase uma década de trabalhos e coloca em diálogo imagens, palavras, objetos e experiências para refletir sobre a condição feminina e os espaços de sociabilidade, circulação e representação historicamente negados às mulheres.


— Em “Às Cartas”, eu reúno uma série de trabalhos que resultam do meu trajeto como artista e pesquisadora, situado entre imagens, escrita, cotidiano, corpo, feminino e as pequenas histórias que atravessam a vida — conta Vanessa.

A artista parte da polissemia da palavra “cartas” para nomear a exposição. Ao longo da mostra, o universo dos jogos de cartas se mistura a questões relacionadas ao cotidiano, ao corpo e às relações de poder. Vanessa articula imagens, palavras e objetos que remetem a espaços de sociabilidade, circulação, disputa e representação dos quais as mulheres foram historicamente afastadas.

— Quando a curadora Marisa viu o conjunto de todos os meus trabalhos, ela percebeu que o assunto sempre foi a condição feminina e que eu não mudei esse assunto. Ele simplesmente saiu da casa e foi também para a mulher na rua, no bar, na mesa de jogo, com as bebidas. Então, é sempre a mulher em posição com as questões femininas. Essa é a minha pesquisa principal — relata a artista.

Marisa Flórido, curadora da exposição, e a artista Vanessa Rocha

Na sociedade, as mulheres foram constantemente silenciadas, reduzidas a objetos do olhar masculino e raramente reconhecidas como agentes na produção de imagens, palavras e arte. É com a intenção de virar esse jogo que Vanessa Rocha atribui à “Dama” de seu baralho o valor do “Rei”.

— Logicamente, eu gosto de jogar cartas. Durante a pandemia, joguei muita carta com os meus filhos. Então, eu percebi que, aqui [no Brasil], a gente chama a Rainha [do baralho] de Dama. Eu achei que a gente desvalorizou a Rainha. Percebendo isso, eu quis colocar a minha Rainha como mais importante que o Rei. Então, eu pego as cartas de baralho e vou alterando os valores da carta. Transformo a Dama em Rei — explica.

Exposição fica em cartaz até setembro

A exposição “Às Cartas” segue em cartaz até 15 de setembro, de segunda a sexta-feira, das 9h às 19h. A Galeria Gustavo Schnoor fica no prédio do Centro Cultural da UERJ, localizado no campus Maracanã, acima do Restaurante Universitário (RU).

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