Nebulosa Gráfica: gravura abstrata ganha panorama inédito com obras de 1964 a 2026

Texto: Lívia Nunes
Fotos: George Magaraia

Um recorte da arte brasileira ganha destaque na exposição “Nebulosa Gráfica: multiplicidades da gravura abstrata”. Cruzando acervos institucionais, coleções privadas e ateliês de 18 artistas brasileiras, a mostra revela como o uso de matrizes, manchas e geometrias se consolidou como uma linguagem de constante reinvenção. Com experimentações que vão do histórico Ateliê Livre de Gravura do MAM Rio às produções atuais, a exposição pode ser visitada na Galeria Candido Portinari, das 9h às 19h, de segunda à sexta-feira.

Com curadoria de Ana Carla Soler e Fernanda Pequeno, a mostra investiga a abstração gráfica como um campo pulsante de pensamento artístico. A partir do conceito de “nebulosa”, que é uma estrutura estelar que gera novos corpos luminosos a partir de rastros do passado, a exposição promove um encontro gravitacional entre mestras dos anos 1960, como Fayga Ostrower, Anna Bella Geiger e Renina Katz, e criadoras contemporâneas de diversas partes do país. Por meio do uso de ácidos, da exploração de matrizes e de jogos rítmicos entre geometria e mancha, as obras expostas reafirmam a vocação da gravura brasileira para a experimentação constante.

— Essa exposição parte de um recorte bastante determinado. Trazemos, não apenas, obras na linguagem da gravura, mas também dentro do campo da abstração, que no período da década de 1950 até a década de 1970 teve projeção muito grande na produção brasileira. A exposição se apresenta dentro desse campo de recorte. A gente entende como é muito interessante olhar como as gerações contemporâneas recebem essa reverberação e são influenciadas por essas artistas. Então, tivemos a oportunidade de reunir muitas pessoas que estão produzindo hoje com artistas que são referências para elas — comentou Ana Carla Soler.

A seleção reúne trabalhos que vão desde o legado de nomes pioneiros — com Anna Bella Geiger, Anna Letycia, Edith Behring, Fayga Ostrower, Isabel Pons e Renina Katz —, até a força de uma geração que manteve a pesquisa viva nas décadas seguintes, com Helena Lopes, Inês de Araújo e Laila Terra. Esse ecossistema gráfico expande-se na produção contemporânea de artistas de diferentes origens e abordagens poéticas, representadas por Adriana Moreno, Aline Besouro, Ana Takenaka, Elaine Arruda, Elisa Arruda, Eneida Sanches, Kika Levy, Renata Basile e Siwaju Lima. As curadoras explicam que a gravura é uma linguagem artística que se caracteriza, principalmente, pela utilização de uma matriz que pode ser replicada em cima de uma superfície e que na década de 1950, houve duas grandes correntes que se manifestaram. 

— Foi muito importante para nossa pesquisa, um livro que uma das artistas que está na exposição, a Anna Bella Geiger, organizou junto com o Fernando Cocchiarale, chamado “Abstracionismo Geométrico e Informal”, publicado em 1987. Na obra, eles abordam e entrevistam uma série de artistas ligados às duas grandes correntes, uma mais geométrica e outra que a gente chama de abstracionismo lírico, expressivo ou informal. Na exposição, a gente trouxe artistas da década de 1960 e também artistas contemporâneas, desdobrando essas pesquisas das “multiplicidades”, das abstrações em gravura — contou Fernanda Pequeno.

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