Exposição “Contemplar, respirar, reimaginar” é aberta na Galeria Gustavo Schnoor

Texto e Fotos: Lívia Nunes

A exposição “Contemplar, respirar, reimaginar” abriu a temporada 2026 da Galeria Gustavo Schnoor, no Campus Maracanã da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). São 32 obras selecionadas a partir de uma chamada pública da Coordenadoria de Exposições de Artes (Coexpa), do Departamento Cultural (Decult). A mostra propõe um intervalo no cotidiano atual, onde o olhar é disputado e monetizado em meios virtuais. A visitação segue até o dia 30 de abril, das 9h às 17h.

Foram selecionadas para esta exposição obras que desativam a hiperestimulação e deslocam os automatismos. A curadoria de Ana Tereza Prado Lopes, Marisa Flórido e Renata Gesomino analisou e avaliou todos os inscritos e selecionou os trabalhos que conversavam com a proposta.“Certas obras reabrem a dimensão interpretativa da imagem, instituem um espaço não instrumentalizado, resgatam cenas do cotidiano sem pressa” reflete a curadoria.

Em busca de pluralidade de olhares, a chamada pública foi aberta a todos os interessados — vinculados ou não à Uerj —. Entre os artistas está a estudante do Instituto de Artes da Uerj Thaís Faria. Sua obra “Existência” é um painel formado por três telas e traz uma reflexão sobre como o tempo afeta tudo que é vivo.

— Essa obra surgiu a partir da observação de três frutas, que eu escolhi a partir das cores primárias. Escolhi para representar o amarelo, a banana; para representar o vermelho, a maçã; e para representar o azul, o mirtilo. Originalmente, essa obra é composta por nove telas, onde fui representando cada etapa da vida da fruta. Aqui, a banana é a representante da fruta verde, a maçã é o maduro e o mirtilo é o apodrecido. Eu quis fazer uma reflexão sobre o tempo e como a matéria vai sendo afetada por ele — explicou Thaís.

A curadoria reflete ainda que, nos tempos atuais, dispositivos e plataformas organizam o que será visto, como e por quanto será visto. “A questão não é o excesso de imagens, mas sua servidão a monopólios e sua redução à mercadoria que apagam sua potência reflexiva (…)”. A artista Amanda Coimbra, que teve sua obra “Cometas de Cauda Longa” selecionada para a exposição, refletiu sobre o ato contemplativo universal de olhar para o céu.

— A obra é uma caixa de luz em que, dentro dela, estão montados dois rolos de filme fotográfico slide. São dois rolos inteiros de fotos que eu tirei do céu. Depois que o filme é revelado, eu faço um desenho em cima da superfície do filme com a ponta metálica de um compasso escolar. É quase como se fosse uma tatuagem ou uma cicatriz na pele do filme para criar essas marcas que viram os desenhos — comentou Amanda, que teve essa obra também em exposição individual no Paço Imperial no último ano.

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