“Nebulosa gráfica: multiplicidades da gravura abstrata”

“Nebulosa gráfica: multiplicidades da gravura abstrata”
03 set 17:00
Até 30 out, 19:00 1m 27d 2h

“Nebulosa gráfica: multiplicidades da gravura abstrata”

Galeria Candido Portinari

 

 

No dia 03 de setembro de 2026, a exposição “Nebulosa gráfica: multiplicidades da gravura abstrata” passou a ocupar a Galeria Candido Portinari, no Campus Maracanã da Uerj, com uma reunião inédita de obras sob a curadoria de Ana Carla Soler e Fernanda Pequeno.

Traçando um recorte próprio e ainda pouco explorado pela historiografia da arte nacional, a mostra traz o trabalho de dezoito artistas mulheres percorrendo mais de seis décadas de experimentação com a matriz gráfica. Desde vanguardas dos anos 1950 até pesquisas contemporâneas, “Nebulosa Gráfica” também destaca o protagonismo feminino na construção da abstração em gravura.

 

Nebulosa gráfica reúne pela primeira vez três gerações de gravadoras brasileiras em mostra inédita

 

Exposição coloca em diálogo direto nomes fundadores da abstração gráfica nacional, como Fayga Ostrower, Anna Bella Geiger e Edith Behring, com a produção contemporânea de artistas como Elaine Arruda, Eneida Sanches e Ana Takenaka

 

Uma reunião inédita na história da gravura brasileira chega ao espaço expositivo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) em setembro, na Galeria Candido Portinari. “Nebulosa gráfica: multiplicidades da gravura abstrata”, com curadoria de Ana Carla Soler e Fernanda Pequeno, coloca lado a lado dezoito artistas mulheres cuja produção atravessa mais de sessenta anos de experimentação com a matriz gráfica. A mostra parte de um recorte pouco explorado pela historiografia da arte nacional, exaltando o protagonismo feminino na construção da abstração em gravura, desde as vanguardas dos anos 1950 e 1960 até as pesquisas contemporâneas do século XXI.

O título da exposição toma emprestado o vocabulário da astronomia. Uma nebulosa de reflexão é uma massa de gás e poeira interestelares que se torna visível apenas pelo reflexo de estrelas próximas. A curadoria propõe pensar a produção destas gravadoras nesses mesmos termos relacionais: cada obra ganha densidade quando vista ao lado das demais, em um sistema de ressonâncias que atravessa gerações.

Um núcleo histórico com endereço conhecido

O eixo fundador da mostra remete ao Ateliê Livre de Gravura do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, coordenado por Edith Behring a partir de 1959. Por aquele espaço passaram Anna Letycia e Anna Bella Geiger, formando um núcleo geracional que a curadoria situa no centro da pesquisa. Fayga Ostrower atua nesse conjunto como voz teórica de referência, enquanto Renina Katz, Isabel Pons e Helena Lopes ampliam a cartografia da gravura abstrata brasileira para São Paulo e Brasília, evidenciando que essa linhagem nunca se restringiu ao eixo carioca.

Ao lado dessas fundadoras, a produção contemporânea de Eneida Sanches, Inês de Araújo, Siwaju Lima, Elaine Arruda, Ana Takenaka, Kika Levy, Aline Besouro, Renata Basile, Laila Terra, Elisa Arruda e Adriana Moreno dá sequência a um repertório técnico que percorre xilogravura, litografia, gravura em metal, monotipia e serigrafia. Cada artista resolve à sua maneira problemas visuais herdados das formas e das manchas, mantendo viva a experimentação com a matriz como método de trabalho.

Um recorte de mais de seis décadas

Com obras que vão da década de 1960 até a segunda década do século XXI, a seleção acessa as tradições abstratas por vocabulários plásticos distintos ancorados em diversas técnicas gráficas. A mostra reúne peças de acervos institucionais, coleções privadas e dos próprios ateliês das artistas, formando um panorama pouco explorado até aqui, que é o cruzamento direto entre a cisão histórica que dividiu a abstração geométrica e a abstração informal, e sua reelaboração pelas gerações seguintes.

“Nebulosa gráfica” é o desdobramento de uma pesquisa iniciada com o estudo sobre Edith Behring e o Ateliê Livre de Gravura do MAM/RJ, que já havia gerado as exposições Gravadas no Corpo (2024) e Órbitas Abstratas (2025-2026), com curadoria de Ana Carla Soler, agora ainda mais encorpada com a pesquisa de Fernanda Pequeno, professora na UERJ e orientadora de Ana carla Soler, com suas pesquisas acadêmicas sobre artistas mulheres e arte no Brasil. A mostra atual realiza o cruzamento buscado desde o início do projeto, colocando as protagonistas históricas em diálogo direto com artistas que hoje reelaboram a mancha, a matriz e o gesto.

 

TEXTO CURATORIAL

 

Nebulosa Gráfica: multiplicidades da gravura abstrata

 

Uma nebulosa é uma estrutura interestelar que opera a partir do acúmulo de gases e poeiras estelares que ali se encontram, se atraem lentamente pela gravidade e geram novas estrelas. É também conhecida como uma espécie de berçário composto pela poeira e pelos detritos das que já deixaram de existir. Tendo existido, iluminaram e deixaram rastros para as novas formações.

É a partir dessas relações de proximidade entre estrelas que tomamos o termo nebulosa para compor o título da exposição, abordando as produções gráficas como reverberações. Propomos uma conversa entre profissionais que empregaram a gravura desde os anos 1960 com artistas contemporâneas de diversas gerações.

No final do século XIX, quando os meios gráficos chegaram ao Brasil de uma maneira mais acessível, os artistas começaram a desenvolvê-los enquanto um campo de experimentação nas artes. A partir da década de 1950, o país ganhou projeção internacional na linguagem. Sua facilidade de transporte e sua multiplicidade, entre outros fatores, somaram-se ao histórico de que a gravura, aqui, existe desde sua origem como um meio de pensamento artístico independente. Tal modelo é diferente do que vigorava no ensino europeu até o início do século XX, onde o suporte gráfico funcionava muitas vezes como secundário em relação aos meios tradicionais como a pintura, a escultura e o desenho, como estratégia para difundir as produções.

É nesse contexto de efervescência que diversos ateliês abriram no Rio de Janeiro a partir dos anos 1950, entre eles o Ateliê Livre de Gravura do Museu de Arte Moderna do Rio (1959 – 1969), onde algumas artistas desta exposição se encontraram. Neste cenário, a abstração encontrou espaço para se tornar técnica e linguagem na gravura, com produções voltadas para os usos de ácidos, matrizes e equipamentos como possibilidades de criação. Dois grandes campos se manifestaram: as pesquisas voltadas para experiências com as formas, então conectadas a um vocabulário geométrico; e outras em relação à sua própria materialidade, estudando possibilidades dentro das matrizes e do seu resultado impresso por meio da mancha.

Mesclando obras de acervos institucionais, coleções privadas e dos ateliês das próprias artistas, esta mostra reúne um recorte pouco explorado dessas produções abstratas: distintas abordagens de formas, manchas, linhas e gestos, através de experimentações diversas, se encontram na gravura. Adriana Moreno, Aline Besouro, Ana Takenaka, Anna Bella Geiger, Anna Letycia, Edith Behring, Elaine Arruda, Elisa Arruda, Eneida Sanches, Fayga Ostrower, Helena Lopes, Inês de Araújo, Isabel Pons, Kika Levy, Laila Terra, Renata Basile, Renina Katz e Siwaju Lima apresentam obras produzidas entre 1964 e 2026, exploram potencialidades estruturais, espaciais, rítmicas e plásticas e apontam, assim, para multiplicidades poéticas.

Os abstracionismos se organizam nesta exposição como fusão de possibilidades para as artistas contemporâneas, muitas delas oriundas do sudeste, mas também de Brasília, Belém e de outras regiões do Brasil. Elas mostram que a abstração no campo da gravura segue viva e em constante experimentação, misturando linguagens e suportes. Ao apresentarmos esses conjuntos gravitacionais, esperamos que possam funcionar enquanto potência, para que a energia concentrada ganhe força para multiplicar a emanação de novos corpos celestes luminosos.

Texto por Ana Carla Soler e Fernanda Pequeno

 

Nebulosa gráfica: multiplicidades da gravura abstrata

Curadoria: Ana Carla Soler e Fernanda Pequeno

Artistas: Adriana Moreno, Aline Besouro, Ana Takenaka, Anna Bella Geiger, Anna Letycia, Edith Behring, Elaine Arruda, Elisa Arruda, Eneida Sanches, Fayga Ostrower, Helena Lopes, Inês de Araújo, Isabel Pons, Kika Levy, Laila Terra, Renata Basile, Renina Katz e Siwaju Lima

Identidade Visual e Projeto Gráfico: Carlos Marcelo Paes

Abertura: 03/09/2026

Visitação: 03/09/2026, 17h, até 30/10/2026

Local: Galeria Candido Portinari, no térreo do Pavilhão Reitor João Lyra Filho, próximo à Entrada 05 do Campus Maracanã da Uerj

Endereço: Rua São Francisco Xavier, 524, Maracanã, Rio de Janeiro, RJ, 20550-013

Horário de visitação: de segunda a sexta-feira, das 9h às 19h

Entrada franca

 

FICHA TÉCNICA

 

Reitora
Gulnar Azevedo e Silva

Vice-reitor
Bruno Deusdará

Pró-reitora de Extensão e Cultura (PR-3)
Ana Santiago

Diretoria de Cultura (Dircult)
Luiz Cláudio da Costa

Direção do Departamento Cultural (Depcult)
Marcelo Limeira

Chefia do Serviço de Apoio Administrativo e Financeiro do Depcult
Rafael Ferezin

Serviço de Apoio Administrativo do Depcult
Alexandre Violante, Ivete Ferreira, Lívia Nunes

Comunicação Social do Depcult
Gabriella Estrela, Ivete Ferreira, Lívia Nunes, Tanmara Gomes

Programação Visual do Depcult
Ana Cristina Almeida, Carlos Marcelo Paes, Graziele Araujo, Rafaella Monteiro Brasil

Coordenação de Exposições de Artes (Coexpa)
Ana Tereza Prado Lopes

Curadoria da Exposição
Ana Carla Soler, Fernanda Pequeno

Chefia da Seção de Apoio Administrativo e Produção da Coexpa
Thiago Thos

Produção Cultural
Rafael Ferezin

Produção
Bruno Miguel, Quesia Pacheco, Thiago Thos

Expografia
Ana Carla Soler, Fernanda Pequeno, Rejane Manhães

Montagem
Alany Solaris, Andreyna Rodrigues, Clara Luna, Érica Cardoso, Harrison Reis Silva, Ingrid Nascimento, Isabella Varela, Juliana Antônio, Karina Chianello, Marcos Arruzzo, Maria Clara Gomes, Miguel Carreiro, Quezia Lima, Rafaell Castanheira, Rejane Manhães, Victória Rodrigues

Coordenação do Educativo Depcult
Gustavo Barreto, Bruno Miguel

Educativo Depcult
Andreyna Rodrigues, Clara Luna, Érica Cardoso, Ingrid Nascimento, Isabella Varela, Juliana Antônio, Maria Clara Gomes, Miguel Carreiro, Quezia Lima, Victória Rodrigues

Laboratório de Acessibilidade Cultural (LAC)
Rafael Ferezin, Gustavo Barreto, Bianca Paes, Felipe Monteiro

Laboratório de Práticas em Arte e Educação
Ana Tereza Prado Lopes, Karina Chianello

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