Às Cartas
Coexpa
Diretoria de Cultura
A Galeria Gustavo Schnoor recebe a exposição “Às Cartas” entre 13 de agosto de 2026 e 15 de setembro de 2026.
Jogos, destinos, comunicações, encontros e segredos… Eis alguns símbolos evocados pelas cartas, que também podem confundir convicções e trazer à luz o que está entre o falado e o não falado.
Com curadoria de Marisa Flórido e Alexandre Sá (in memoriam), “Às Cartas” reúne trabalhos da artista Vanessa Rocha, que resultam do seu trajeto como artista e pesquisadora, situado entre imagens, escrita, cotidiano, corpo, feminino e as pequenas histórias que atravessam a vida.
Nas palavras de Vanessa Rocha, artista titular da exposição, “Às Cartas” coloca-se como “uma mostra sobre o que é revelado, o que é oculto e o que teima em ficar entre as linhas”.
Texto Curatorial
Às cartas
Cartas à mesa: o jogo está posto! A corte desfila: reis, valetes, rainhas. Submetidas à ordem dos reis, as damas não ocultam a marca da exclusão inscrita na iconografia do baralho tradicional. Como outras tantas, a mulher no carteado existe como imagem, mas não joga; ou joga à margem, clandestina nos territórios do domínio masculino: o bar, a rua, o jornal, a boemia, a pintura, a própria história da arte.
Cartas à mesa: o jogo se abre! — em segredos e domínios, em pequenos poderes e grandes terrores. Entre o revelado e o oculto, o dito e o que permanece suspenso, o que se manifesta na palavra e na imagem e o que só respira no silêncio invisível que as sustenta.
Cartas à mesa, convocam-se as damas! Evas e Liliths, Marias e Vênus, Mênades e Madalenas, Hécates e Métis, Helenas e Medusas, Maria Padilha e bruxas, sentam-se com cortesãs, rainhas decaídas, ciganas, Artemísias e Hilmas, Virgínias e Sands, Glórias e Lélias, entre tantas outras, para jogar. Trazem a energia insubmissa e os atributos que tanto ameaçam: a sedução e a potência erótica, a fala afiada e a irreverência, a astúcia e o saber subterrâneo, o riso e a fúria.
Cartas à mesa: o coringa! Antes de ser mensagem, carta foi superfície e matéria de inscrição: a pele sobre a qual se es/inscreve. Do grego khártēs ao latim charta, a palavra nomeou o papiro e a folha, o documento (a carta de direitos) que protege, a escrita que acende mundos, o mapa que risca sendas invisíveis, as epístolas trocadas, os jogos do acaso e do destino.
Cartas à mesa: Às cartas. Vanessa Rocha parte da espessura polissêmica da palavra para nomear esta exposição em que reúne quase uma década de trabalhos. A artista articula imagens, palavras e objetos que remetem ao jogo, ao bar, à rua, à boemia e à própria história da arte — espaços de sociabilidade, circulação, disputa e representação dos quais as mulheres foram historicamente afastadas. Fragmentos de palavras e frases, apropriadas de jornais (esses oráculos de verdades por um dia) estabelecem, em sua fulguração solitária ou em proximidade ou colisão com objetos e imagens, indagações e desvios de sentidos móveis, abertos e múltiplos.
Cartas à mesa: cartas à carta. A epístola foi o gênero permitido às mulheres — a escrita íntima, doméstica, dirigida a um destinatário privado — em contraste com o jornal, a rua, ao espaço público de enunciação, a história (carta-documento que autoriza quem entra e quem fica de fora do relato). Às cartas inverte esse regime: usa o suporte menor (a carta, o objeto, a imagem) para invadir os espaços maiores que lhe foram vedados. Cartas lançadas sobre a mesa, palavra, imagem e coisa restam à espera de novas combinações e outros sentidos.
Cartas à mesa: hora de virar o jogo! A artista convoca as damas ao jogo, ao direito de girar a roda do destino. Embaralham-se as cartas: posições são deslocadas, hierarquias invertidas, imagens permutadas, outras vozes e palavras ecoadas, os sentidos e poderes redistribuídos. Figuradas, mas silenciadas — na carta, na página do jornal ou na superfície da pintura —, as jogadoras foram reduzidas a objeto do olhar masculino e raramente reconhecidas como agentes de imagens e palavras, de arte e mundo. Mas as senhoras da noite e do desejo, do subterrâneo e das encruzilhadas, reivindicam aqui o lugar de quem ins/escreve, de quem devolve o olhar, e produz outra economia da visibilidade.
Cartas à mesa: posições invertidas. Por isso a presença do bueiro em telas e objetos. Ele toma o lugar do ponto de fuga da perspectiva pictórica. O bueiro da rua e o ponto de fuga no horizonte são, de certo modo, extremos do campo visual e simbólico: um está abaixo, na imanência do chão, ligado àquilo que é rejeitado, subterrâneo, invisível; o outro está acima, ligado à transcendência, ao domínio de horizontes, seres e saberes, ao infinito da perspectiva. O bueiro é o contraponto da perspectiva, o ponto de fuga invertido, o reverso da ordem visual, a matéria em fluxo e os saberes da noite.
Cartas à vida! Com as damas convocadas, deslocam-se os lugares que lhes foram atribuídos, estilhaça os códigos de enunciação e visibilidade cristalizados, suas regras de moralidade, fazendo emergir a figura de um feminino indomável, tão plural quanto liminar. Uma força, um princípio operador posto em jogo, na arte e na vida, que desloca fronteiras e espaços, que faz deles matéria de linguagem e de pensamento, que inventa outros modos de existência, de possibilidades de corpo, palavra e mundo.
Marisa Flórido
Artista
Vanessa Rocha
Curadoria
Alexandre Sá (in memoriam), Marisa Flórido
Identidade Visual
Carlos Marcelo Paes e Vanessa Rocha
🖼️ Às Cartas
📆 Abertura em 13/08/2026, 17h
Visitação: 13/08/2026 até 15/09/2026
📍 Galeria Gustavo Schnoor, perto do Restaurante Universitário no Campus Maracanã da Uerj
📍Endereço: Rua São Francisco Xavier, 524, Bairro Maracanã, Rio de Janeiro, RJ
FICHA TÉCNICA
Reitora
Gulnar Azevedo e Silva
Vice-reitor
Bruno Deusdará
Pró-reitora de Extensão e Cultura (PR-3)
Ana Santiago
Diretoria de Cultura (Dircult)
Luiz Cláudio da Costa
Direção do Departamento Cultural (Depcult)
Marcelo Limeira
Chefia do Serviço de Apoio Administrativo e Financeiro do Depcult
Rafael Ferezin
Serviço de Apoio Administrativo do Depcult
Alexandre Violante, Ivete Ferreira, Lívia Nunes
Comunicação Social do Depcult
Gabriella Estrela, Ivete Ferreira, Lívia Nunes, Tanmara Gomes
Programação Visual do Depcult
Ana Cristina Almeida, Carlos Marcelo Paes, Rafaella Monteiro Brasil
Coordenação de Exposições de Artes (Coexpa)
Ana Tereza Prado Lopes
Curadoria da Exposição
Alexandre Sá (in memoriam)
Marisa Flórido
Produção Cultural
Rafael Ferezin
Produção
Bruno Miguel, Quesia Pacheco, Thiago Thos
Expografia
Marisa Flórido, Vanessa Rocha
Coordenação de Montagem e Iluminação
Alany Solaris, Rafaell Castanheira, Rejane Manhães
Montagem
Alany Solaris, Andreyna Rodrigues, Clara Luna, Ingrid Nascimento, Isabella Varela, Miguel Carreiro, Quezia Lima, Rafaell Castanheira, Rejane Manhães, Thiago Mendes
Coordenação do Educativo Decult
Gustavo Barreto, Bruno Miguel
Educativo Decult
Andreyna Rodrigues, Clara Luna, Ingrid Nascimento, Isabella Varela, Miguel Carreiro, Quezia Lima
Laboratório de Acessibilidade Cultural (LAC)
Rafael Ferezin, Gustavo Barreto, Bianca Paes, Felipe Monteiro
Laboratório de Práticas em Arte e Educação
Ana Tereza Prado Lopes, Karina Chianello

