Contemplar, respirar, reimaginar

Contemplar, respirar, reimaginar
10 Mar 17:00
Until 30 Apr

Contemplar, respirar, reimaginar

Gustavo Schnoor Gallery
Organizado por Coexpa

No dia 11 de março de 2026, a partir de 17h, teremos a abertura de “Contemplar, respirar, reimaginar” na Galeria da Gustavo Schnoor, no Campus Maracanã da Uerj.

Com curadoria Ana Tereza Prado Lopes, Marisa Flórido e Renata Gesomino, a exposição coloca-se como um espaço de pausa e reflexão para habitar o presente e vislumbrar novas possibilidades.

“Contemplar, respirar, reimaginar” acolhe as 32 obras de artistas que participaram da Chamada Pública Galeria Gustavo Schnoor 2026, desenvolvida pelo Departamento Cultura e pela Coordenadoria de Exposições de Artes (Coexpa) para a ocupação do espaço.

Como delineado pelas curadoras e pelas obras selecionadas, “a contemplação artística não é fuga, mas exercício crítico de reabertura do sensível e de emergência de sentidos.”

Venha prestigiar esse momento de encontro entre arte, cultura, sensibilidade, presente e futuro!


Texto Curatorial

Contemplar, respirar, reimaginar

“Contemplar”, do latim contemplari, deriva de templum. Antes de designar o edifício religioso, templum era uma porção do céu delimitada pelo áugure, o sacerdote romano que traçava no firmamento um recorte simbólico para observar o voo dos pássaros e interpretar seus presságios. Contemplar significava, portanto, abrir uma dimensão do visível e nele pousar sua atenção, à espera de algo que aparecesse como signo. Na arte, a janela pictórica, o enquadramento fotográfico e fílmico, a cena teatral ou expositiva, a página escrita e desenhada, o manto tecido ou bordado conversam com esse gesto e essa abertura: operam uma cisão no fluxo vertiginoso das passagens para instaurar um campo de visibilidade singular.

Se delimitar um campo é excluir outros, toda contemplação implica um domínio. Mas, por outro lado, algo nesse campo delimitado nos interpela, a contemplação não é só a soberania do sujeito sobre o objeto, mas também exposição a uma alteridade e acolhida de sua inquietante e indomada reciprocidade. Contemplar é também retirar-se do regime da urgência, suspender a disputa monetizada pela atenção destes dias, criar intervalos e silêncios. Longe de ser passividade, é esse colocar-se disponível a ser afetado pelo desconhecido, traçar essa abertura onde algo pode aparecer sem ser imediatamente apropriado, como os sentidos e os afetos.

A violência contemporânea funciona não apenas por força física, mas por saturação e captura: atenção é mercadoria, percepção é modelada, afetos são explorados. A economia da atenção — abordada por autores como Jonathan Crary, Marie-José Mondzain, Yves Citton — organiza a vida social a partir da captura, disputa, quantificação e monetização da atenção. O capitalismo digital substitui os laços sociais pela conexão algorítmica compulsiva e adicta, enlaça o desejo na sedução da propaganda. Sua lógica de rentabilidade e controle não captura apenas a atenção, mas sequestra o que sustentava a vida coletiva, como o tempo, a linguagem, o visível, a imaginação. O tempo, orientado para a produtividade contínua, perde densidade na aceleração e na compressão do eterno imediato, não apenas a força de trabalho é explorada, mas o tempo psíquico; a percepção torna-se superfície de impacto rápido, consumo instantâneo e circulação incessante de imagens e palavras que se lacram mutuamente. Seguimos reféns de uma dívida sem perdão que inviabiliza outros porvires.

Dispositivos e plataformas organizam o regime do visível, determinando o que aparece, como aparece e por quanto tempo. A questão não é o excesso de imagens, mas sua servidão a monopólios e sua redução à mercadoria que apagam sua potência reflexiva, neutralizam o invisível, bloqueiam o silêncio, impedem a imaginação. As palavras desgastadas são reduzidas a slogans, absorvidas pela lógica publicitária e algorítmica de adesão rápida. A saturação produz repetição, previsibilidade, respostas automáticas. A imaginação é substituída por reação. A potência do possível converte-se em circuito fechado de estímulo-resposta. A imaginação drenada afeta nossa capacidade de cogitar outros horizontes.

A arte não escapa à economia da atenção, mas pode introduzir ruídos, fricções e zonas de indeterminação. Mais do que retirar-se desse fluxo de disputas, ela pode dobrá-lo, ou fazê-lo falhar. A desaceleração, quando mobilizada pela arte, deseja uma alteração qualitativa do regime de experiência. Ao desafiar o tempo como recurso capitalizado, o reconfigura: produz intervalos, entretempos que suspendem a lógica comunicacional da resposta imediata e raivosa. Ao instaurar demoras e silêncios, a quase-imperceptibilidade ou a duração expandida, a obra desativa a hiperestimulação, desloca automatismos. Resgata o mínimo gesto, o fazer vagaroso das mãos que bordam, tecem, escrevem, pintam. Ao roçar o quase invisível, ao encontrar o enquadramento insuspeito do clique, ao sobrepor imagens, tempos e memórias, põe-nos à espera daquela inquietante aparição.

Assim, signos da hipervigilância algorítmica são devolvidos ao sonho, cantam ou encenam um romance entre distâncias e imagens que faltam. Palavras espectros ou quase apagadas recusam a transparência comunicativa, tentam interromper a previsibilidade, restituir a opacidade da palavra e resistir à legibilidade imediata. Certas obras reabrem a dimensão interpretativa da imagem, instituem um espaço de relação não instrumentalizado, resgatam cenas do cotidiano sem pressa. Mercadorias e embalagens, subtraídas de seu destino e consumo e descarte, reinventam-se em línguas, silhuetas e glossários de florais.

A contemplação artística não é fuga, mas exercício crítico de reabertura do sensível e de emergência de sentidos. Ela reinstaura o templum, não como recinto sagrado, mas como gesto estético-político. Se não elimina o regime de captura, pode ensaiar brechas — zonas temporais onde a imaginação pode respirar, vislumbrar outros possíveis, sustentar o invisível, habitar o intervalo entre o que se é e o que se pode ser.

Ana Tereza Prado Lopes
Marisa Flórido
Renata Gesomino

Artistas selecionados

4RIANY, Alice Machado, Alice de Oliveira, Amanda Coimbra, Amanda Marcolino, Bárbara Paul, Bárbara Copque, Bianca Tomaino, Dani Bixe, Daniel Franco, Daniel Pereira Clementino, Deisie, Douglas Cortes, Eduardo Baltazar, Flávia Metzler, GXYEYE, Ivani Pedrosa, ique, Joana Traub Csekö, Letícia Dutra, Letícia Naves, Lila Rodrigues, Lucas Casemiro, Matheus Pires, Mozileide Neri, Nathan Moura, Rachel Rego, Rodrigo Pedretti, Thaís Faria, Vera Bernardes, Victoria Shintomi , YOKO NISHIO

Projeto Visual por Henrique Barone

INFORMAÇÕES:

🖼️ Contemplar, respirar, reimaginar

✨ Abertura em 11 de março de 2026, 17h

📆 Visitação até 30/04/2026

📍 Galeria Gustavo Schnoor, dentro do Centro Cultural da Uerj, Campus Maracanã da Uerj

📍 Endereço: Rua São Francisco Xavier, 524, Bairro Maracanã, Rio de Janeiro, RJ

FICHA TÉCNICA

Reitora
Gulnar Azevedo e Silva

Vice-reitor
Bruno Rêgo Deusdará Rodrigues

Pró-reitora de Extensão e Cultura (PR-3)
Ana Maria de Almeida Santiago

Direção do Departamento Cultural (Decult)
Alexandre Sá

Assessoria do Gabinete da Direção
Marcelo Limeira

Assessoria Decult
Gustavo Barreto

Chefia do Serviço de Apoio Administrativo Decult
Rafael Ferezin

Chamada Pública Galeria Gustavo Schnoor 2026
Alexandre Sá, Ana Tereza Prado Lopes, Gustavo Barreto

Curadoria Exposição “Contemplar, respirar, reimaginar”
Ana Tereza Prado Lopes, Marisa Flórido, Renata Gesomino

Coordenação de Exposições de Artes
Ana Tereza Prado Lopes

Assessoria da Coordenadoria de Exposições de Artes
Ivete Ferreira

Produção Cultural
Rafael Ferezin

Produção
Bruno Miguel
Quesia Pacheco

Projeto Expográfico
Ana Tereza Prado Lopes, Marisa Flórido, Renata Gesomino

Cenografia e Expografia
Rejane Manhães, Rafaell Castanheira

Iluminação
Rejane Manhães, Rafaell Castanheira

Montagem
Rejane Manhães, Andreyna Rodrigues, Clara Luna, Isabella Maria Varela, Júlia Ribeiro, Maria Deça, Miguel Carreiro, Philipe Baldissara, Quezia Lima, Rafaell Castanheira, Thamiryz Nicolau

Audiovisual
Pablo Rocha, Gabriella Estrela

Direção do Educativo Decult
Alexandre Sá

Coordenação do Educativo Decult
Bruno Miguel, Gustavo Barreto

Educativo Decult
Andreyna Rodrigues, Clara Luna, Isabella Maria Varela, Júlia Ribeiro, Maria Deça, Miguel Carreiro, Philipe Baldissara, Quezia Lima, Thamiryz Nicolau

Laboratório de Acessibilidade Cultural (LAC)
Rafael Ferezin, Gustavo Barreto, Felipe Monteiro, Raphael Luiz Barbosa da Silva

Laboratório de Práticas em Arte e Educação
Ana Tereza Prado Lopes, Karina Chianello

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