Data: 24/11/2025
Texto e fotos: Lívia Nunes
Dez bolsistas do projeto Educativo Decult da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) tiveram um dia de intercâmbio institucional através da visita mediada à exposição “Adiar o Fim do Mundo”, na Fundação Getúlio Vargas (FGV), na última quarta-feira (19/11). Com inspiração na produção do líder indígena Ailton Krenak e com curadoria dele próprio junto a Paulo Herkenhoff, a mostra foi uma nova experiência para os universitários, que contaram com a mediação de uma ex-bolsista do próprio Departamento Cultural (Decult), Camila Medeiros.

“Adiar o Fim do Mundo” propõe um diálogo entre arte, ecologia e filosofia. A exposição ocupa diversos espaços da FGV Arte. Um percurso imersivo dialoga com a arquitetura modernista do prédio, passa por instalações e jardins na esplanada e nos pilotis, além da galeria principal. Para um dos coordenadores do Educativo Decult, Gustavo Barreto, poder interagir com outros projetos de mediação é uma forma de ampliar o olhar dos universitários.
— É um processo formativo para que eles conheçam outras possibilidades. Nessa ocasião, pudemos conhecer outro projeto Educativo como o nosso, porém com semelhanças e diferenças, como o fato de estar em uma universidade privada. Acho valioso para os bolsistas conhecerem outros espaços voltados à arte e ouvir, por exemplo, da nossa ex-bolsista Camila como é a dinâmica em um outro ambiente, além da própria visita a essa grande exposição — comentou Gustavo.

A exposição visitada reúne mais de 150 obras de diferentes épocas, linguagens e contextos, com nomes como Claudia Andujar, Adriana Varejão, Cildo Meireles, Hélio Oiticica, Denilson Baniwa, Anna Maria Maiolino, Sebastião Salgado e Tunga, entre outros. O projeto também inclui 11 obras comissionadas especialmente para esta edição. O grupo do Decult contou com a mediação de Fel Barros, Alan Muniz e Georges Gonçalves, além da própria Camila.

— É muito bom ter aqui as pessoas com quem eu trabalhei, é muito bom compartilhar essa nova experiência que estou vivendo, que é a mediação para crianças. Está sendo muito bacana trabalhar nessa exposição. Essa ação me traz uma esperança muito grande. As crianças sempre têm olhares muito bonitos e todo dia você está com uma criança que vai trazer um novo olhar sobre uma obra de arte. Apesar da exposição ter um lado um pouco pessimista, ainda assim, ela fala muito sobre novos mundos, novos olhares, novas possibilidades. Isso tem sido diariamente inspirador — relatou Camila.
O projeto Educativo Decult se inspira com exposição e trabalho de mediação

Os bolsistas na modalidade “Cultura”, integrantes do Educativo Decult, são estudantes de graduação da Uerj, atualmente oriundos principalmente dos cursos de Artes Visuais e História da Arte. Suas ações atuam na consolidação de atividades de arte-educação e mediação cultural, como oficinas, visitas mediadas e a criação de projetos educativos na Uerj em parceria com escolas e outras instituições. O projeto é dirigido pelo Professor Alexandre Sá, atual Diretor do Departamento Cultural, e conta também com a coordenação de Bruno Miguel, além de Gustavo Barreto. Para o grupo, o dia foi considerado uma inspiração, como disse o bolsista Miguel Carreiro.
— A visita foi maravilhosa. Conhecer uma outra organização, um outro Educativo, ver uma nova exposição e entender como que outros Educativos dentro do Rio de Janeiro funcionam foi incrível. Foi muito vigoroso ter visto isso tudo — finalizou.



